SÃO PAULO E SEUS ENCANTOS
Há quantos anos vou para São Paulo e nunca tive a oportunidade de fazer um passeio pelos pontos turísticos da cidade.
Ontem juntamente com meu professor do curso José Gotardo e um guia regional, fizemos nosso primeiro passeio técnico.
Fomos primeiramente a catedral da Sé.
A
história da catedral de São Paulo começa em 1589, quando se decidiu que uma igreja principal (Matriz) seria construída na
pequena vila de São Paulo de Piratininga. Esta igreja, situada no local da catedral atual, foi terminada em torno de 1616.
São Paulo transformou-se em sede de diocese em 1745, e a partir dessa data, a antiga igreja foi demolida e substituída por uma nova, construída em estilo barroco, terminada em torno de 1764. Esta modesta igreja seria a catedral de São Paulo até 1911, quando foi demolida.
A catedral atual foi construída por iniciativa de Dom Duarte Leopoldo e Silva, primeiro arcebispo de São Paulo. Os trabalhos começaram em 1913 no local da catedral colonial demolida. O arquiteto responsável foi o alemão Maximilian Emil Hehl,
que projetou uma enorme igreja em estilo eclético, por possuir vários
elementos de estilos distintos, como a cúpula e o arco ogival, mas que
predomina claramente o neogótico, inspirada nas grandes catedrais medievais europeias.
Todos os mosaicos, esculturas e mobiliário que compõem a igreja foram trazidos por navio da Itália. Entretanto, devido às guerras mundiais, houve grande dificuldade para se concluir a obra.
Assim, a inauguração da
nova catedral ocorreu somente em 1954, com as torres ainda inacabadas, mas a tempo para a celebração do quarto centenário de São Paulo, no dia 25 de janeiro. As torres foram terminadas somente em 1967. As obras foram tocadas inicialmente por Alexandre Albuquerque, e, a partir de 1940, por Luís Inácio de Anhaia Melo
.
No início do século XX
não havia um meio de demarcar o início da numeração das vias públicas
paulistanas e o monumento foi uma das muitas tentativas de fixar uma
centralidade material na cidade.
No ano de 1921 o jornalista
Américo R. Netto, um dos membros da
Associação Paulista de Boas Estradas, propôs a demarcação de um marco zero para
São Paulo. O mesmo recorreu ao escultor francês
Jean Gabriel Villin para a
execução do projeto. Contudo, somente em 1932 a idéia foi aprovada pelo então
prefeito da cidade,
Antonio Carlos Assumpção. Dois anos mais tarde o marco foi instalado, tornando-se o primeiro do gênero na América do Sul.
A estrutura foi tombada em 2007 pelo
Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo, vulgo CONPRESP.
Cada face vertical do miniobelisco, em concreto recoberto de mármore, representa seis importantes lugares, são eles: Paraná, Santos, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás, cada um destes é simbolizado com uma gravura.
Em sua parte superior há uma placa de bronze que representa os principais pontos da cidade na época, como os rios Tietê e Pinheiros, a estação da Luz, a Faculdade de Medicina da USP, o Museu do Ypiranga (como era escrito na época) e as vias da urbe, por exemplo: a Rua Voluntários da Pátria na zona norte, a Rua da Consolação e a Avenida Paulista
O
Pátio do Colégio1 é um sítio arqueológico, onde foi levantada a primeira construção da atual cidade de São Paulo, quando o padre Manuel da Nóbrega e o então noviço José de Anchieta, e outros padres jesuítas a pedido de Portugal e da Companhia de Jesus, estabeleceram um núcleo para fins de catequização de indígenas no Planalto.
Em 25 de janeiro de 1554,
foi realizada, diante da cabana coberta de folhas de palmeira de cerca
de noventa metros quadrados - ou, como descrita por Anchieta, de dez por
catorze passos craveiros (passo craveiro era uma
medida linear portuguesa) - a missa que oficializou o nascimento do colégio jesuíta. Em 1556, o padre Afonso Brás,
precursor da arquitetura brasileira, foi o responsável pela construção
em taipa de pilão de um colégio e igreja anexa. Brigas entre os colonos e
os religiosos que defendiam os indígenas, culminaram na expulsão dos
jesuítas do local em 1640, para onde só retornariam treze anos mais tarde. Na segunda metade do século XVII, foi erigida a terceira edificação, de taipa de pilão e pedra
.
Parede de Taipa
Solar da Marquesa de Santos
Partindo do Páteo do Colégio, os primeiros povoadores passaram a
ocupar os terrenos vizinhos, construindo suas moradias e formando as
primeiras
ruas da cidade. Na
Rua do Carmo, hoje Roberto Simonsen no 136-A (antigo nº 3), localiza-se
o Solar da Marquesa de Santos, raro exemplar de residência urbana do
século XVIII.
Não há
dados precisos sobre a data de construção desse imóvel. Em 1802, foi dado como
pagamento de dívidas
ao Brigadeiro José Joaquim Pinto de Morais Leme, primeiro proprietário
documentalmente comprovado. Contudo, documentos do século XVIII
indicam a existência de quatro casas na Rua do Carmo entre 1739 e 1754.
A junção de duas dessas casas de taipa de pilão teria originado o
Solar, conforme registros fotográficos do século XIX, além de
prospecções arqueológicas e análises arquitetônicas realizadas pelo
Departamento do Patrimônio Histórico (DPH).
A Marquesa de Santos, Domitila de Castro Canto e Melo, foi
a proprietária entre 1834 e 1867, adquirindo o imóvel da herdeira do
Brigadeiro Leme. A partir de então, tornaram-se famosas as festas ali
realizadas, e o imóvel passou a ser conhecido como Palacete do Carmo,
uma das residências mais aristocráticas de
São Paulo. Com sua morte, a
propriedade da casa
passou para seu filho, o Comendador Felício Pinto de Mendonça e
Castro.No ano de 1880, é colocada em hasta pública e arrematada pela
Mitra Diocesana, que aí instalou o Palácio Episcopal, introduzindo
modificações no local, como a construção de uma capela e de uma cripta
sob o altar-mor. É desse momento, provavelmente, a inclusão de
características neoclássicas em sua fachada principal.
Em 1909, o imóvel foi adquirido pela The São Paulo Gaz
Company, que nele instalou o seu escritório. Para adaptar-se ao novo
uso, a casa passou por diversas modificações e ampliações: foram
demolidas paredes de taipa de pilão e janelas e portas, transformadas
em vitrines. Para melhorar a iluminação e a ventilação, foi aberto um
pátio na lateral direita do lote, alterando o
desenho do telhado.Na
década de 1930 foram construídos anexos à edificação original,
aumentando sua área útil e alterando por completo a fachada posterior
do imóvel.Em 1967, a Companhia Paulista de Gás (sucessora da The São
Paulo Gaz Company) foi desapropriada e todos os seus imóveis passaram à
Prefeitura. Em 1975, já incorporado ao patrimônio municipal, o Solar
foi sede da Secretaria Municipal de Cultura e alguns de seus
departamentos, como o DPH, criado nesse ano.
Os diferentes usos e adaptações sucessivas levaram à
descaracterização do imóvel, exigindo sua recuperação, que teve início
em 1991. As pesquisas, que embasaram o projeto e as obras de
restauração, revelaram não ser possível reconstituir qualquer estágio de
construção dentre os vários pelos quais passou o Solar. Deste modo, o
restauro realizado, conforme normas internacionais para intervenções em
bens histórico-arquitetônicos, procurou preservar e destacar elementos
de suas várias etapas construtivas: a conservação dos amplos ambientes
do andar
térreo, resultantes das diversas demolições, a preservação no pátio
interno de vestígios remanescentes da calçada do século XVIII e a
demolição de intervenções da década de 1960.
O pavimento superior conserva até hoje paredes de taipa de
pilão e pau-a-pique do século XVIII e mantém as características
ambientais das intervenções do século XIX, como forros apainelados,
pinturas murais e artísticas e pisos assoalhados, entre outras. Trechos
de diversas paredes foram deixados aparentes, com o intuito de informar
sobre as antigas e as novas técnicas construtivas encontradas no
Solar, como a taipa de pilão, o pau-a-pique, a taipa francesa e a
alvenaria de tijolos. Quanto ao tratamento dado à fachada, optou-se por
conservar sua feição neoclássica, já incorporada à paisagem do centro.
O Solar da Marquesa de Santos, abriga atividades museológicas e a sede do Museu da Cidade de São Paulo.
BECO DO PINTO
Localizado entre a Casa nº 1 e o Solar da Marquesa de Santos, o Beco do Pinto, antigo Beco do Colégio na época da São Paulo colonial, constitui um conjunto arquitetônico
bastante significativo para a cidade. Antigamente o local era uma
passagem que ligava a Rua do Carmo à várzea do Rio Tamanduateí.
Em 1821 o beco tornou-se
passagem livre,
pois cinco anos antes tinha sido interditado a mando do Brigadeiro José
Joaquim Pinto de Morais Leme, proprietário do Solar da Marquesa na
época, depois de desavenças com a vizinhança. Entretanto, em 1912 o
mesmo espaço foi comprado pela Marquesa e reduzido a
depósito de lixo, ficando fechado por vários anos.
Graças a um projeto de arqueologia realizada em 1980, foram encontrados
no beco vestígios de calçadas do século XVIII, tijolos, fragmentos de
louça, cerâmica, vidro, osso e grafite. Definitivamente reaberto em
1912, a antiga passagem foi restaurada e faz parte hoje do circuito
cultural de São Paulo.
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